quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Hidroginástica
Era uma vez a minha vontade de fazer hidroginástica. Na terça feira me deu um siricutico as 18 horas. Liguei para academia para saber como funciona, horários e etc. A moça logo convidou para ir fazer uma aula grátis naquele mesmo dia, as 19 e 30. A palavra "grátis" com seu letreiro luminoso acendeu-se diante dos meus olhos como um lindo sol após uma noite de tempestade. Não tive a menor dúvida e aceitei imediatamente. Corri para fazer um lanchinho, dar de mamar para a bebê, procurar meu velho maiô, touca, arrumar a mochila e sair alegre e saltitante para a minha tão desejada horinha de descanso (dos afazeres diários) dentro de uma morninha piscina. Já fui com o maiô por baixo da roupa. Cheguei lá e a moça me mostrou toda a academia. Meio pobrinha em relação a outra que frequentei antes de engravidar e que agora está cara demais. Enfim... Ela me deixou a vontade no vestiário para me trocar e ir direto pra piscina. Tirei a roupa, coloquei a touca e sem querer olhei para meus pés. Sim! Depois de muito tempo olhei para meus pés. A última vez em que os vi, foi para cortar as unhas e tirar um esmalte marrom que já estava ali fazia mais de um mês. Em todo caso, fiquei chocada. Os dedos estavam peludos e as unhas cortadas tortas, os calcanhares ressecadíssimos a ponto de rachar. Pareciam pés de um homem muito, muito relaxado. Desviei o olhar para as pernas e o que vi? Pêlos escuros. Muitos pêlos escuros tomando conta como erva-daninha em terreno fértil! Que tristeza. Subindo um pouco mais os olhos, percebi que minha virilhas também eram terreno fértil e os pêlos também tomaram conta de uma forma brutal. Então tive uma idéia genial: entrar correndo na piscina. Afinal, debaixo dágua quem veria essa tragédia? Faria isso com certeza, caso não tivesse visto o que vi em seguida. Uma coisa imensa dentro do maiô. Seria uma toalha, bem na região do abdome? Com muito cuidado e (por que não dizer "medo") levei as mãos suavemente e percebi um calorzinho... aquele que a gente sente quando toca a própria pança recheada de gordura! Oh! E os peitos? A parte que estava por dentro do maiô eram esmagados como de uma japonesa e a parte que estava por fora eram de uma vaca holandesa! Eu parecia uma... uma... Nesse momento olhei para as minhas roupas e decidi sair correndo dali. Estava com a sensação de ter tido a pior de todas as idéias que já tive na vida. Hidroginástica! Que besteira! Que precisa disso? Existem as roupas pretas para nos emagrecer. E é bem mais fácil se vestir de preto do que ficar fazendo movimento repetitivos num caldeirão. Nesse momento ouvi uma música bem dançante vinda de fora. A aula estava começando. Fiquei com vontade. Então, para esquecer completamente aquela imagem que eu via no espelho, fiz aquela clássica pose de fisiculturista, mais para rir de mim mesma e relaxar do que por qualquer outro motivo. Então, ao levantar um pouco o braço, eu vi. Meus olhos, até então controlados e sem lágrimas, sucumbiram de vez. As minhas axilas pareciam tamborins feitos de péle de rato cinzento. Baixei os braços rapidamente com o susto. a pose de fisiculturista se transformou em pose de trapo pendurado no varal. Foi nesse instante que percebi o que estava acontecendo. Era um duelo. Era uma guerra. Um enfrentamento. Eu e o espelho. Eu estava diante do meu pior inimigo. Diante daquele que era causador de todo e qualquer sofrimento. Um inimigo cruel e frio. O pior de todos os inimigos de qualquer mulher! Meus lábios se contraíram em uma fúria louca. Meu punhos enrijeceram... Uma nova decisão nasceu e resolvi abandonar meu inimigo, deixá-lo ali, sozinho, gelado, olhando para a parede. Saí de diante dele e fui para a piscina. Percebi logo ao entrar que poderíamos, eu e as outras mulheres, formar um batalhão e destruir nosso inimigo que morava no vestiário. Uma das soldadas parecia um mortadela dentro de um maiô vermelho. Outra parecia um cacho de uvas verdes (com todos os gomos!). Havia uma tão gorda que deixava de fazer a maior parte dos exercícios. Nenhuma era perfeita. A professora poderia ser, pois tinha o corpo perfeito, entretanto era caolha. Verdade! Participei da aula esquecendo completamente que meus "tamborins de ratos" estavam perfeitamente visíveis. Ganhei a batalha. Fiz o que fui fazer. No final, voltei para casa bem feliz e com uma meta: vou fazer as unhas, me depilar completamente e, obviamente, comprar um maiô maior. Preto, logicamente!
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